sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Rosa, Esperança

Coloco aqui matéria publicada no jornal O Mirante, de Portugal, sobre a peça Rosa, Esperança, que tem como tema o câncer de mama. Um trabalho que merece todo o nosso apoio.



Encenador Rui Germano prepara "Rosa Esperança” em Rio Maior.

Primeiro foi a mãe. Ultrapassou um cancro da mama há 26 anos. Depois a amiga Cláudia partiu muito cedo. “Rosa Esperança”, uma peça de teatro encenada por Rui Germano, conta histórias reais de sete mulheres que enfrentaram a doença e vai ser apresentada em Rio Maior.

Um jovem encenador de Rio Maior, advogado de profissão, está a preparar um espectáculo de teatro baseado em histórias reais de mulheres que enfrentaram o cancro da mama. Rui Germano, 37 anos, é o “comandante”, como lhe chamam nos ensaios que decorrem no Cine-Teatro de Rio Maior aos domingos. Elas são sete mulheres com histórias diferentes, mas com uma coisa em comum: o cancro da mama.

O projecto do grupo “Quem não tem cão” (http://equemnaotemcao.blogspot.com/) arrancou em Outubro e vai estrear a 4 de Abril na cidade. Qualquer semelhança com a realidade é intencional. A base é real, mas as experiências estão baralhadas propositadamente. “Realidade e a ficção estão de tal forma embrulhadas que nós próprios já temos dificuldade em perceber se isto foi mesmo assim ou não”, diz o encenador que reuniu as histórias de “Rosa Esperança”. Rosa, nome de mulher e da luta contra o cancro da mama. “Esperança porque é aquilo que todas as mulheres têm quando iniciam este processo”, diz o encenador. A história relata a evolução da doença. A descoberta, a ida ao médico, o medo do diagnóstico, o internamento, a cirurgia e os tratamentos. “Não há aqui traição, nem nem amor, nem suspense”, avisa o encenador.

O texto ainda não está pronto. É um processo em aberto. Uma espécie de laboratório. Todas as semanas há alguém que propõe uma alteração. “A doença fez-me renovar o guarda-roupa”, ensaia Carla Pedro, uma jornalista de 40 anos, residente em Lisboa, a quem o cancro bateu a porta. “O que aconteceu comigo foi que me apercebi da minha mortalidade. E além disso engordei 18 quilos por causa dos tratamentos e tive mesmo que comprar roupa”, diz arrancando gargalhadas entre o grupo.

O humor ajuda a afastar as recordações de um processo doloroso. Como a quimioterapia. “Quando me avisaram que me caíria o cabelo foi o meu marido que disse que me cortava o cabelo. Virei-me para a banheira. Chorava eu e chorava ele”, relata Lina Pereira, 43 anos, residente em Alverca. “As pessoas dizem-me: Lina estás mais bonita do que eras antes”. Ouvem-se frases soltas. De sorrir. E chorar. Saem da peça. Mas são verdades da vida real. “Hoje é um dia, amanhã é outro”.

As mulheres são bancárias, professoras, esteticistas, jornalistas e empresárias. De Rio maior, de Alcobaça, Lisboa e Ovar. Conheceram-se num blog (http://superglamorosas.blogspot.com/) criado por uma amiga do encenador que acabou por falecer. Cristina Jordão, 41 anos, bloguista, também viveu de perto a doença da amiga e ajudou a reunir o grupo. “Elas não são actrizes nem querem ser actrizes. São mulheres normais que têm em comum o facto de terem tido cancro da mama”, diz Rui Germano. Quem não faz parte do elenco participa de outra forma.

A Claúdia, os amigos nunca lhe levaram flores. Compravam-lhes antes vernizes das cores preferidas, recorda Cristina Jordão. Há uns silêncios, que só elas percebem, uns sorrisos e uma lágrima no olho que é mais importante que qualquer palavra. “Essa cumplicidade, aproximação e generosidade é que é importante”. E o que era um projecto só para mulheres com cancro da mama, já tem a participação de alguns maridos. “Os homens participam “isto de uma forma silenciosa. O cancro da mama não é uma doença individual. É uma doença da família”, explica o encenador que há 26 anos acompanhou o processo de doença da mãe (ver caixa).

O projecto não acaba com a peça. Há uma ideia para um livro e uma digressão que o grupo quer que aconteça, tal como um ciclo de sessões fotográficas. No quadro final elas vão ser vestidas por sete costureiros portugueses. “Elas querem que sejam homens”, anuncia Rui Germano a quem interessa passar a mensagem destas mulheres utilizando o teatro.

Cacilda ou uma história de sucesso.

Foi há 26 anos. Em Agosto. Cacilda Germano sentiu um nódulo e procurou o médico. Encaminharam-na para o IPO. “Na altura isso era sinónimo de cancro e de morte”, diz Cacilda Germano, hoje com 68 anos. Menos de quatro meses depois estava a ser operada. Mas a intervenção não foi fácil. A família foi o porto de abrigo. Mais de duas décadas depois está bem de saúde para contar a história. A empresária do ramo avícola, residente em Rio Maior, é a mãe do encenador de “Rosa Esperança”. E foi literalmente um dos motores da ideia.
“Estão a ser muito falados casos envolvendo figuras públicas. Diz-se que o cancro da mama é uma doença, mas que é uma questão de tempo e que se ultrapassa, mas infelizmente não é assim. Há pessoas que não conseguem ultrapassar. Felizmente é uma minoria”, ressalva Rui Germano que acompanhou o processo de uma amiga que não conseguiu vencer a doença. “O cancro da mama não é uma constipação”.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Ainda não foi desta vez...

Vim apenas para tranquilizar vocês. Voltei hoje para casa. Encontrei um quarto de hospital extremamente gelado, mais ou menos 21 graus. Do lado de fora uns 38 graus. Choque térmico! Todas as ites finalmente explodiram em gripe (febre, espirros, coriza, tosse). Um quadro que não permite cirurgia. Sinto-me muito debilitada. E frustrada... E aliviada... Acho tudo isso uma merda. Obrigada a todas!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Ano novo, carinha nova, algumas mazelas antigas...

Estou um tanto atrasada, afinal já estamos quase ao fim da segunda semana do ano novo! Mas coloco aqui algumas fotos, só para registrar meu novo look, cabelinhos e gordurinhas... Vi o brilho dos fogos em Paraty, cidade histórica, entre a mata atlântica e o mar, um lugar deslumbrante, cenário também do nosso ouro vazando em direção ao Atlântico, em tempos coloniais. Mas este é o outro lado da moeda... Fui com algumas amigas, no entanto o lugar é uma gracinha para passeios mais românticos...

Primeiro dia do ano ao som de Rolling Stones



A turminha um pouco antes da virada



Paraty, um olhar



Paraty vista do mar




Dois dias após retornar ao Rio, uns sintomas confusos apareceram: dor de cabeça, pressão nos ouvidos, garganta reclamando. Empurrei a primeira semana e seus compromissos. No fim de semana comecei a me arrastar, tentei a emergência do hospital do câncer, afinal ainda sou paciente deles: nada, ouvi do sujeito "não podemos ajudá-la, procure um otorrino". Assim o fiz, nenhum problema nos ouvidos, no nariz idem, na garganta apenas uma leve vermelhidão. E as dores aumentando na cabeça, na garganta, nos ouvidos. Tudo seco, sem espirros, sem secreções. E o sol se firmando, a temperatura passando dos 37 graus (a do meu corpo também), a praia exuberante e eu quase acamada. Entre uma atividade e outra, um momento de descanso. E muitos remédios. Tá um samba do crioulo doido (por favor, não há aqui qualquer preconceito e discriminação!!!): homeopatia e alopatia. O otorrino aconselhou uma videolaringoscopia. Céus, a uma semana da cirurgia? Com anestesia a base de lidocaína? A mesma que quase me apagou em 2007? Nem pensar!

Voltei ao hospital do câncer para falar com o médico que me vai operar. Sujeito bom, atencioso, gentil, experiente. Disse-me que os sintomas, a tosse seca agora incluída na lista, são ainda decorrentes da quimioterapia! E já se passaram quatro meses da última sessão! Lembro-me que em dezembro me sentia tão bem, uma pessoa "normal", que até havia dispensado alguns remedinhos da homeopatia. Enfim, creio que há uma conjugação de fatores: uma ainda possível baixa imunidade, o calor e a umidade do ar de Paraty, mais o cheiro de mofo da pousada (nem vou me estender sobre este assunto, é pra esquecer!) e o cansaço (só parava mesmo para dormir), pronto, um prato cheio para as ites: sinusite, faringite, traqueíte, e a mais nova, uma possível conjuntivite. Acordei hoje (14/01) com os olhos remelentos e muito vermelhos. Agora tenho de ir ao oftalmologista. Minha sorte é que muitas das palavras aqui escritas não sofreram modificações. Uma preocupação a menos, porque o acordo ortográfico já está valendo! E com tudo isso, mais a notícia triste do dia 8, meu computador com problemas (no momento escrevo no laptop) e algumas outras coisitas (inclusive os pensamentos desagradáveis), fiquei sem ânimo para postar.

Para terminar essa ladainha, o médico experiente disse-me para não me preocupar, não há necessidade de videolaringoscopia e no próximo dia 22 ele finalmente se tornará íntimo das minhas entranhas.

Assim seja!

(Beijinhos para você, Lina!)