Queridas amigas e amigos,
Peço desculpas por essa ausência tão longa e por não ter informado com antecedência sobre a cirurgia. Maio foi um mês corrido, de muitos exames, muitos médicos, muitas providências a tomar. E pouca vontade de escrever. A cirurgia aconteceu no dia 28 de maio, retiraram-me os linfonodos da pelve (dos dois lados), os retroperitoniais e a vesícula. Ao entrar no centro cirúrgico, após me despedir do meu B e de seu pai, pensei estar num parque de diversões tal era a animação e movimentação das pessoas. Conversei com a anestesista, contei-lhe sobre o edema de glote que fiz com lidocaína, das dificuldades que tive após a primeira cirurgia, da sonda nasogástrica que precisei usar e quando estava quase adormecendo vi aquele homem enorme, sorrindo e falando "olá, querida", o meu médico. Um deus ultra competente, segundo as informações que tive.
Quando acordei, a primeira coisa que vi foi um relógio redondo, de parede. Marcava meio dia e quarenta minutos. A cirurgia deve ter consumido entre três e quatro horas. Às quatro e meia voltei para a enfermaria e meu B estava lá. Como da primeira vez, o pós operatório foi difícil. Fiquei muito agitada (creio que devido a anestesia)e no domingo comecei a acumular líquidos no abdômem. À noite, a enfermeira veio tentar passar uma sonda nasogástrica acompanhada de um tubo enooooooooooooooorme de LIDOCAÍNA! A infeliz simplesmente não leu meu prontuário. Não sei como consegui manter a calma e disse-lhe que não usaria sonda nenhuma. Ela ainda insistiu, dizendo que usaria óleo mineral. Resisti. E fiz um esforço mental imenso para fazer meu corpo reagir e eliminar o que lhe fazia mal. O dedo na garganta funcionou. Comecei a melhorar e pude dormir. Na segunda-feira, dia 1/06, disse ao médico assistente que iria embora, nem que tivesse de assinar o termo de responsabilidade. No fim da tarde, voltei pra casa.
O Instituto Nacional do Câncer (INCA) tem os médicos mais competentes, os mais modernos equipamentos de exame, as drogas mais eficientes e atuais, uma equipe de quimioterapia fantástica, uma equipe ambulatorial de excelente qualidade (nutrição, fisioterapia, psicologia etc), uma turminha de apoio pra lá de simpática (Gisele, Michele, Márcio), mas o seu sistema hospitalar precisa melhorar muito. Os quartos são pequenos, o espaço entre as camas é exíguo e o atendimento é mecânico. Fulano é responsável por isso, o outro, por aquilo, cada um no seu quadrado. Falta humanização à equipe de enfermagem. Senti-me muito mal cuidada, entregue à minha própria sorte, em algumas ocasiões, abandonada.
De volta à casa, a primeira semana foi péssima. Enjoos, vômitos, diarreia, dores, dormência e inchaço nas coxas, dificuldade para caminhar. Um corpo extremamente debilitado, ainda que a cabeça tentasse manter tudo sob controle. Pedi colinho e fui pra casa da mamãe. Num lugar tranquilo e bucólico, com sopinhas e comidinhas, pude, enfim, me sentir mais forte. Minha mãe é uma mulher de fibra, há 16 anos teve câncer de mama, venceu e hoje, aos quase 77 anos, vive bem, sozinha, numa casa que parece casa de boneca. Foi muito bom estar lá. Obrigada, mãe! Que você tenha muitos anos de vida saudável.
Miinha mãe, dois de seus quatro netos e duas filhas (ao todo são 3)

Não é bem bucólico o lugar onde ela mora?

No dia 12, retirei os pontos e fui examinada pelo médico. As coxas continuam estranhas, dormentes e um pouco inchadas. Fiz um doppler para eliminar a suspeita de trombose (o resultado foi negativo, mas não me deram explicação para a espécie de íngua que tenho na perna direita), ainda devo manter uma dieta totalmente sem gordura, nada de esforço físico, pouquíssimas saídas à rua. O ânimo está bem melhor, mas o passo ainda é muito lento. Amanhã vou à fisioterapia, quem sabe ela consegue me dizer o que há de errado com as minhas pernas. Porque até agora, quem me tem socorrido é a minha homeopata, Dra Márcia Soares, que sempre muito atenciosa me ouve e cuida. Obrigada, Márcia! Muita luz pra você.
Obrigada às amigas e amigos que me visitaram (lindo o presente que vc me deu, Lurdes!), telefonaram, enviaram mails e deixaram mensagens aqui no blog e no orkut. A energia de vocês muito me tem confortado.
Um beijo para as minhas irmãs. Obrigada, Luiz, pelas comidinhas, ainda que com pouco sal. (rsrs)