quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Férias!!!! Ainda em férias!

Olá!!!!!!!!!

Como sabem estou de férias, na minha segunda semana, no segundo ponto de chegada...
De frente para um rio famoso, apreciando uma paisagem de cartão postal, sob o sol, num lugar bonito e confortável, cercada de pessoas atenciosas... Tudo muuuuuuuuuito bom, para compensar o lamentável e sofrido contratempo da primeira semana.

Hum, logo contarei os detalhes. Aguardem!

Beijos

sábado, 5 de setembro de 2009

Depressão pós-câncer?

Olá amigas e amigos,

A resposta positiva à pergunta do título pode parecer estranha, sobretudo quando se sabe que as células tortas se foram. Na grande rede há pouquíssima informação a respeito do assunto, mas conversando aqui e ali com pessoas que lidam diretamente com a doença fiquei sabendo que é possível a instalação de um quadro depressivo ao fim do tratamento. O normal, ou melhor, o mais comum, é o paciente de câncer apresentar sinais de depressão durante o tratamento. A descoberta do tumor, os exames, as consultas médicas, os procedimentos cirúrgicos, os tratamentos, as dúvidas com relação à eficácia dos métodos, os efeitos das drogas utilizadas, as angústias pessoais etc etc etc. Tudo isso e mais um pouco minam a resistência do doente de câncer e o fazem entrar no mundo nebuloso da depressão.

No meu caso, posso dizer que vivi alguns períodos enevoados ao longo da quimioterapia, que terminou em setembro de 2008. Ainda assim o ano foi de intensa atividade e muitas alegrias. Os quatro primeiros meses de 2009 também foram difíceis, com uma bruma forte. Em maio meu ânimo renovou-se e no fim do mês submeti-me à segunda cirurgia. E, como sabem, a recuperação foi bastante lenta. Hoje, passados três meses (e quase um ano do término da quimio), percebo que este último período teve um sabor de recolhimento. Estive mais dentro do que fora de casa, principalmente metida com arrumações de armários, estantes e etc. Mais calada e menos afeita à escrita. Visitante quase silenciosa dos blogs amigos. Mais triste, menos feliz.

Vocês certamente estão se perguntando: como esta mulher pode estar assim mesmo sabendo que tudo terminou bem? Há uma explicação plausível. Quando se está na luta pela vida (não pela sobrevivência) os dias se tornam plenos e ensolarados, sua agenda fica lotada (compromissos com médicos, exames, tratamentos, almoços, jantares, chás, festas, passeios, cinema, teatro, cursos...), seus prováveis últimos dias de vida precisam ser encantadores. E podem ser, os meus foram. Os amigos ao redor, a família presente. Uma maravilha os mimos recebidos.

Passada a euforia (e correria) da luta contra o câncer e em seguida a descoberta de que se está livre dele (de que não há sinais evidentes), juntamente com um período pós-cirúrgico, sobrevem, então, um cansaço físico (mental e emocional também), uma vontade de fazer nada, um sentimento de abandono (de estar abandonada e de abandonar-se) e começa-se (ou recomeça-se) a luta pela sobrevivência. Aquela do dia-a-dia, com pouco ânimo, apenas para manter-se minimamente viva. A agenda praticamente em branco, os amigos e familiares redirecionam o foco para suas próprias vidas, afinal você agora volta a fazer parte do mundo das pessoas saudáveis. Só você sabe que suas forças ainda não estão totalmente reconstituídas, que o carinho da atenção e dos mimos recebidos foram e são (ainda são) muito importantes, porém você compreende que a vida continua, ela não para nunca. Nesse momento você nasce mais uma vez. E a dor sentida tem a mesma intensidade (talvez um pouco mais) do primeiro nascimento.

Como retomar a vida agora? Certamente é uma outra vida. Mas qual exatamente? E as pendências da vida anterior, que se mantiveram em suspensão (ou nem tanto)? Vale a pena continuar investindo naquele seu relacionamento? Será possível começar um outro? Estar só é uma boa opção? Filhos? (Melhor não tê-los/ mas se não tê-los, como sabê-los?, já dizia o poeta. Cito de memória). Como se mantém esta relação? O que precisa mudar para melhorar? E a questão profissional? Satisfaz, é prazerosa e rentável do ponto de vista financeiro? ............ Afinal, o que você quer ser quando crescer?

Junte-se a isto o fator climático, bastante relevante para quem vive no Rio de Janeiro. O verão foi chuvoso; o inverno, longo, frio e nebuloso. Em termos gerais, um 2009 à mercê da gripe suína; da crise econômica; da politicagem dos políticos, em campanha pré-eleitoral (2010). Deve-se incluir nessa breve lista a desfaçatez do governador do estado do Rio de Janeiro em aviltar mais uma vez os professores da rede estadual. (Sou professora, não se esqueçam, e faço parte dessa rede).

Aí estão alguns dos ingredientes da depressão pós-câncer.

Setembro chegou, com lua crescente, céu azul e sol. Emagreci um pouco, os cabelos estão mais crescidos (ainda enrolados), minhas pernas estão quase normais e depiladas (não aguentei e passei a "gilete", por enquanto está tudo ok), por recomendação médica dedico-me à musculação, minha irmã faz aniversário no dia 7, a outra no dia 21, minhas amigas portuguesas voltam aos palcos com a peça Rosa, Esperança, a partir do dia 19, e eu decidi sair em férias.

E o Rio de Janeiro é a cidade mais feliz do mundo (segundo pesquisa da Forbes)!!!!!!!!!!! (Ainda exportamos estereótipos...)

Beijos (um especial para a Laura, a menina do sorriso azul)