Esse início de ano está meio estranho. 40 graus no termômetro, cinquenta e tantos na pele. Tomo banho frio, algo que não fazia a long long time, três por dia. Trânsito congestionado, quando deveria estar mais tranquilo, afinal janeiro é mês de férias. Parece que os nossos não viajaram. Os outros estão por aqui a desfilar o corpo branco e a se encantarem com a morenice das praias. Lá fora a nevasca, o terremoto; aqui as chuvas, um tremor e até um ciclone. Não estamos em sintonia com a natureza. O que é muito triste e preocupante.
O cinema ainda não me empolgou. É impressão minha, ou não há filmes interessantes? Ainda não fui assistir Avatar e Amor sem Escalas, nem ao "filme do presidente". Assisti em casa alguns do ano passado, como A Onda (excelente), Desonra, baseado no livro do Cotzee, os divertidos A Verdade Nua e Crua e Falando Grego, o multicultural O Casamento de Rachel, o francês Inimigo Público (1 e 2), o mais ou menos O Sequestro do Metrô 123, com Denzel Washington e John Travolta.
A vida social também está meio estranha, tenho saído pouco, mas conheci umas pessoas bacanas e o restaurante Da Graça, uma graça, pena não ter levado minha digital. Aliás, até a máquina anda meio esquecida. A vida profissional está em compasso de espera, plantei algumas sementinhas, vamos ver se florescem. Ao trabalho antigo, retorno provavelmente em março e, como a minha amiga TeresaM, sem muita vontade, prefiro algo novo. A vida virtual também anda meio devagar, visito um blog ali, outro acolá (Lina, não consigo entrar no seu blog novo, mas continuo tentando). A vida sentimental... A saúde está bem! E me sinto feliz!
Noto que ultimamente não exerço muito controle sobre o que escrevo. Por exemplo, pensei em colocar aqui um post breve, sobre a colagem de fotos que acabei de fazer, algumas palavrinhas, e pronto. Mudança de post. E já estou no quarto parágrafo! Escrever me faz muito bem e adoro falar com vocês. Ah, acabo de me lembrar. Não fiz a endoscopia. O médico disse que não deixei. Como?! Eu estava sedada, apagada, e o senhor médico e a enfermeira não conseguiram passar aquele tubo pela minha goela abaixo! Será que sou tão forte assim? Decidi que não vou repetir a façanha. Os sintomas estão quase ausentes, vou esperar a próxima consulta com o oncologista, na semana que vem.
Revendo meu arquivo fotográfico, selecionei algumas fotos que marcam os momentos mais legais de 2009 com as amigas, amigos e familiares deste lado do Atlântico. Então, há imagens desde o início do ano passado até ao último dia (aquela em que estou com o modelito branco, e "só Carolina não viu", ando meio musical ultimamente). Os olhos mais atentos vão perceber a evolução dos cabelinhos e a involução do corpinho, rsrs. Quem não se encontrar nessa colagem, não precisa se entristecer. Significa que apareceu em post anterior. Ou ainda vai aparecer.
Acalmem-se, vou terminar. É o seguinte: tô com saudade de vocês, de ver essa blogosfera mais animada, dos comentários e mimos, dos almocinhos e lanchinhos, do brilho no olho, da adrenalina da luta. Como diz a música, "tô com saudade de tu, meu desejo". Tô com saudade da intensidade da vida.
Mandem notícias, please!!!!!!!
Beijão e fiquem bem. Adoro vocês.
Enquete: Felicidade dói? (Quero muitas respostas, hein?! CrisJ!!!!!!!!!!!!!!!)
Rio de Janeiro, Brasil. Céu de outono, de frente para o mar, melão com hortelã refresca a conversa. O arco-íris aponta o pote de ouro, não ao final, mas ao centro do grupo: a amizade. Felicidade é festejar a vida! Podemos estar em qualquer lugar do mundo. Donas da língua em seus múltiplos sentidos...
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
2009, um ano português (Feliz 2010!)


Um começa, o outro finda. Assim passam-se os anos e a cada vez acreditamos que o novo será melhor. Recuso-me a fazer o clássico balanço, registro apenas que foi um ano de muita dificuldade e algumas perdas. Decido que 2009 será lembrado como marco da travessia, em que cruzei o Atlântico e minha vida deixou-se impregnar por outras vidas, outras paisagens. Dos momentos vividos, muito rápidos e intensos, ficam a alegria e carinho das amigas e amigos portugueses, a beleza dos plátanos em tons outonais, a coragem e a força das margens do Douro, a luminosidade das tardes na Ribeira, os doces na esplanada, a grandeza do Tejo (tantas vezes lida), o sol da ria Formosa, o céu de Lisboa (quase igual aquele do Wim Wenders), a música e o vento no Castelo de São Jorge, a dignidade da Rosa e a emoção da Esperança nos palcos de Ovar e Faro.
2009 é de vocês, amigas e amigos da terra de Camões e Pessoa (e de tantos outros que enriqueceram o meu imaginário). Mais uma vez agradeço de coração a acolhida, a amizade, e sobretudo a presença constante aqui no blog.
As amigas e amigos brasileiros não precisam ficar enciumados, há também um lugar especial para vocês, na memória e no coração. E o meu agradecimento.
A todos, desejo um 2010 feliz, com muitas alegrias e realizações. E muuuuuuuuuuuita saúde!
Beijos
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Dia de exame
Ufa! Hoje foi dia de fazer a ressonância magnética. Ai, mesmo sendo um exame simples, sempre me causa um pouco de stress, e como demora! São dois em um: pelve e abdômen, com contraste na veia. Mas correu tudo bem e agora aguardo o resultado.
Na próxima segunda-feira, vou passar o dia no hospital. Farei exames de sangue e a colonoscopia. Esse último é muuuuuuuuuuuito chato. O domingo vai ser à base de líquidos, o intestino tem de ficar bem limpinho, e no dia ainda terei de ingerir mais líquido, acho que vai ser o manitol, argh! E tem a anestesia, o sedativo, como eles dizem. Enfim, espero que tudo acabe bem.
Facebook
Gente, acho que enlouqueci. Como se não me bastassem os endereços eletrônicos para gerenciar, mais o blog, orkut, msn, messenger do yahoo, e outras coisitas mais, agora também estou no facebook, twitter, flickr e skype. Ah, também estou lá no "Limpar Portugal", da Cinda. Antes era um sufoco acessar as informações e comunicar-se com as pessoas à distância. Hoje há um exxxxxxxxxxxxxxxxxcesso de informação e de vias de comunicação.
Bem, desses novos, o facebook é o que está mais ou menos ativo. Hoje dei de cara com um mail dizendo que não apareço por lá, que tenho não sei quantas solicitações e sugestões... Legal "ele" se preocupar com a minha ausência. Mas confesso que o acho um tanto confuso e ainda tem os jogos!!!!!!!!! Sou uma mulher pós-moderna, antenada, adoro as novas tecnologias, mas, por favor, me digam, como conseguem gerenciar tudo isso?
Novos amigos
Um abracinho especial para as meninas que têm me visitado aqui: Madalena, Natália, TeresaM, TeresaP, Karin Fromm e para o menino Xekim. São todos muito bem-vindos! Que nossa amizade cresça!

Na próxima segunda-feira, vou passar o dia no hospital. Farei exames de sangue e a colonoscopia. Esse último é muuuuuuuuuuuito chato. O domingo vai ser à base de líquidos, o intestino tem de ficar bem limpinho, e no dia ainda terei de ingerir mais líquido, acho que vai ser o manitol, argh! E tem a anestesia, o sedativo, como eles dizem. Enfim, espero que tudo acabe bem.
Gente, acho que enlouqueci. Como se não me bastassem os endereços eletrônicos para gerenciar, mais o blog, orkut, msn, messenger do yahoo, e outras coisitas mais, agora também estou no facebook, twitter, flickr e skype. Ah, também estou lá no "Limpar Portugal", da Cinda. Antes era um sufoco acessar as informações e comunicar-se com as pessoas à distância. Hoje há um exxxxxxxxxxxxxxxxxcesso de informação e de vias de comunicação.
Bem, desses novos, o facebook é o que está mais ou menos ativo. Hoje dei de cara com um mail dizendo que não apareço por lá, que tenho não sei quantas solicitações e sugestões... Legal "ele" se preocupar com a minha ausência. Mas confesso que o acho um tanto confuso e ainda tem os jogos!!!!!!!!! Sou uma mulher pós-moderna, antenada, adoro as novas tecnologias, mas, por favor, me digam, como conseguem gerenciar tudo isso?
Novos amigos
Um abracinho especial para as meninas que têm me visitado aqui: Madalena, Natália, TeresaM, TeresaP, Karin Fromm e para o menino Xekim. São todos muito bem-vindos! Que nossa amizade cresça!

Desafio
Outro dia a Alda me desafiou e só agora respondo. Preciso completar as frases:
Eu já tive... muita vontade de ser médica!
Eu nunca... me canso de aprender, descobrir e conhecer.
Eu sei... que hoje é o dia!
Eu quero ...viajar muito, conhecer novos lugares e pessoas interessantes e fazer tudo o que me apetecer (ufa!). Ah, e quero que o meu B seja muito feliz, saudável e realize os seus sonhos!
Eu sonho ...com um mundo mais sadio para todos, com governantes realmente comprometidos com o bem, com cidadãos mais conscientes e que as empresas e laboratórios farmacêuticos parem de inventar novas doenças, se esforcem mais na prevenção do que na reparação!
E... segundo diz, tenho que passar a 10, e estes valem a pena! (Vou colocar só os nomes)
Lou Magalhães, Natália, TeresaM, TeresaP, Madalena, Xekim, Ana Azevedo, Karin Fromm, Lia, Isabel Carvalho.
Animem-se! O fim de semana está chegando...
Beijocas
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ressonância magnética
segunda-feira, 20 de julho de 2009
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Io sono felice!!! Acabou! Finished!
Amigas e amigos, meus queridíssimos,
Hoje fui à consulta com a clínica geral, para acompanhamento da sinusite. Tudo ok! Nada de sinusite. E já que estava lá, procurei o ginecologista-cirurgião, na tentativa de antecipar a consulta que estava marcada para o dia 30. Lá estava ele, tranquilão, receptivo, concordou em me atender. Foi direto ao resultado da análise patológica: 15 linfonodos pélvicos direitos, livres de neoplasia; 8 linfonodos pélvicos esquerdos, livres de neoplasia; 17 linfonodos paraórticos, livres de neoplasia; lavado peritoneal, negativo para células malignas; vesícula biliar, livre de neoplasia. Os médicos também ficam felizes!!! I'm free! Livre do câncer!
Chamou-me magrela, examinou a barriga, um pouco distendida, as coxas e virilhas. Há alguns linfonodos inflamados nas virilhas, mais evidentes do lado direito, mas é o corpo tentando se ajustar ao novo formato (afinal, foram muitas perdas!), as coxas também continuam dormentes, receitou uns remedinhos e drenagem linfática dos pés até aos joelhos (somente) e a partir da próxima semana posso voltar a caminhar (para manter o peso, segundo ele). Retorno em agosto, quando, então, ele poderá me liberar para a musculação e hidroginástica. Aguardem-me, vou virar top model! Ahahahahahahahahaha...
Sabem o que ele me disse após terminar os exames? "Agora que tudo acabou, faça uma viagem à Europa". Céus, nunca falei-lhe desse meu sonho! Quando setembro vier, quem sabe?!
Feliz! Feliz! Feliz! Precisava vir aqui dividir essa felicidade com vocês, que me acompanham com amizade e carinho já há algum tempo. Que me deram forças, enviaram energias positivas, ficaram na torcida... Desejo o melhor para todos! Aceitem meu abraço apertado, sincero, meu beijo afetuoso de amizade e agradecimento. E comemorem a nossa vitória!

Muitas pessoas me falam que sou um exemplo, não, não quero servir de exemplo pra ninguém. Quero apenas dar um testemunho da força que cada um de nós possui. Nossa mente tem um poder, ao qual não atribuímos muita importância. Como não professo nenhuma religião, agarrei-me à minha fé no poder da mente, na capacidade que temos tanto de nos adoecer, quanto no nosso poder de cura, procurei envolver-me em situações felizes, a despeito das muitas dores e lágrimas que tentaram me desanimar, em atividades que deixassem meu corpo saudável, em outras tantas coisas que fizessem o meu cérebro continuar ágil e vibrante, acreditei firmemente na ciência e na energia boa que circula no universo.
Hoje creio cada vez mais que somos os únicos responsáveis por tudo o que de bom ou ruim nos acontece. Quando perdemos a sintonia com nosso corpo (em todas as suas dimensões), quando deixamos de nos incluir na harmonia da natureza, quando nos permitimos acreditar nas frágeis ilusões de nosso mundo consumista, quando nos esquecemos de nos dar amor e de oferecer amor aos outros, céus, como a vida parece impossível, num quadro desses! E tudo é tão simples! Ao longo dos últimos 19 meses, vivi um dia de cada vez, mas foram dias imensos, de uma riqueza de gestos mínimos, uma grandiosidade de coisas pequenas, uma percepção cada vez maior da existência e do que lhe é verdadeiramente essencial. Assim pretendo continuar a viver e a aprender.
É claro que ainda preciso me restabelecer da cirurgia, por enquanto não posso sair por aí aos saltos, serei ainda acompanhada pelos médicos durante alguns anos e de vez em quando serei acometida por um medinho. Normal. Só devo me manter alerta para evitar o crescimento desse medo. Essa figurinha feia, aliada à ignorância, são inimigos que devem ser combatidos ferozmente. Mas estou na batalha. A cada dia!
Beijos, beijos, beijos, beijos...
Às meninas (Marina, Maguie, Cristina Simões) e a todas as pessoas que estão vivendo dias menos bons: acreditem! Mantenham o pensamento positivo. Amanhã será bem melhor!
Hoje fui à consulta com a clínica geral, para acompanhamento da sinusite. Tudo ok! Nada de sinusite. E já que estava lá, procurei o ginecologista-cirurgião, na tentativa de antecipar a consulta que estava marcada para o dia 30. Lá estava ele, tranquilão, receptivo, concordou em me atender. Foi direto ao resultado da análise patológica: 15 linfonodos pélvicos direitos, livres de neoplasia; 8 linfonodos pélvicos esquerdos, livres de neoplasia; 17 linfonodos paraórticos, livres de neoplasia; lavado peritoneal, negativo para células malignas; vesícula biliar, livre de neoplasia. Os médicos também ficam felizes!!! I'm free! Livre do câncer!
Chamou-me magrela, examinou a barriga, um pouco distendida, as coxas e virilhas. Há alguns linfonodos inflamados nas virilhas, mais evidentes do lado direito, mas é o corpo tentando se ajustar ao novo formato (afinal, foram muitas perdas!), as coxas também continuam dormentes, receitou uns remedinhos e drenagem linfática dos pés até aos joelhos (somente) e a partir da próxima semana posso voltar a caminhar (para manter o peso, segundo ele). Retorno em agosto, quando, então, ele poderá me liberar para a musculação e hidroginástica. Aguardem-me, vou virar top model! Ahahahahahahahahaha...
Sabem o que ele me disse após terminar os exames? "Agora que tudo acabou, faça uma viagem à Europa". Céus, nunca falei-lhe desse meu sonho! Quando setembro vier, quem sabe?!
Feliz! Feliz! Feliz! Precisava vir aqui dividir essa felicidade com vocês, que me acompanham com amizade e carinho já há algum tempo. Que me deram forças, enviaram energias positivas, ficaram na torcida... Desejo o melhor para todos! Aceitem meu abraço apertado, sincero, meu beijo afetuoso de amizade e agradecimento. E comemorem a nossa vitória!

Muitas pessoas me falam que sou um exemplo, não, não quero servir de exemplo pra ninguém. Quero apenas dar um testemunho da força que cada um de nós possui. Nossa mente tem um poder, ao qual não atribuímos muita importância. Como não professo nenhuma religião, agarrei-me à minha fé no poder da mente, na capacidade que temos tanto de nos adoecer, quanto no nosso poder de cura, procurei envolver-me em situações felizes, a despeito das muitas dores e lágrimas que tentaram me desanimar, em atividades que deixassem meu corpo saudável, em outras tantas coisas que fizessem o meu cérebro continuar ágil e vibrante, acreditei firmemente na ciência e na energia boa que circula no universo.
Hoje creio cada vez mais que somos os únicos responsáveis por tudo o que de bom ou ruim nos acontece. Quando perdemos a sintonia com nosso corpo (em todas as suas dimensões), quando deixamos de nos incluir na harmonia da natureza, quando nos permitimos acreditar nas frágeis ilusões de nosso mundo consumista, quando nos esquecemos de nos dar amor e de oferecer amor aos outros, céus, como a vida parece impossível, num quadro desses! E tudo é tão simples! Ao longo dos últimos 19 meses, vivi um dia de cada vez, mas foram dias imensos, de uma riqueza de gestos mínimos, uma grandiosidade de coisas pequenas, uma percepção cada vez maior da existência e do que lhe é verdadeiramente essencial. Assim pretendo continuar a viver e a aprender.
É claro que ainda preciso me restabelecer da cirurgia, por enquanto não posso sair por aí aos saltos, serei ainda acompanhada pelos médicos durante alguns anos e de vez em quando serei acometida por um medinho. Normal. Só devo me manter alerta para evitar o crescimento desse medo. Essa figurinha feia, aliada à ignorância, são inimigos que devem ser combatidos ferozmente. Mas estou na batalha. A cada dia!
Beijos, beijos, beijos, beijos...
Às meninas (Marina, Maguie, Cristina Simões) e a todas as pessoas que estão vivendo dias menos bons: acreditem! Mantenham o pensamento positivo. Amanhã será bem melhor!
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sábado, 2 de maio de 2009
Um mimo para as amigas e amigos
Adoro vocês!
Já tinha dado a postagem por encerrada, mas tive de voltar por dois motivos:
1. Amanhã, 03/05, comemora-se o dia das mães em Portugal. Então, um dia muito feliz para as minhas amigas portuguesas! (o vídeo tem tudo a ver...)
2. Só agora percebo que abril terminou e nem me dei conta de que este blog fez aniversário! Um aninho e 2.200 visitas (ao perfil). É um dado memorável! (minha memória está um desastre, mas a intuição ainda funciona, por isso senti o desejo de postar este vídeo!) Parabéns, bloguinho! Obrigada aos amigos e visitantes! Sem vocês este blog não teria muita razão e graça. Champanhe para todos! Tchim tchim!!!
E muitos beijinhos carinhosos.
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dia das mães em Portugal,
Maria Bethania
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Silêncio e caos
O cinza do horizonte acinzenta minha alma. Novembro teve muitos dias assim, encobertos, chuvosos, frios. Ao criar este blog, o objetivo era encontrar os amigos, repartir a mesa e as alegrias. Tristezas e problemas, administro-os sozinha. Foi o que sempre pensei. Para os amigos, o melhor de mim, meu afeto, minha alegria, meu ombro, minha mão.
Hoje, no entanto, minúsculos pontos brancos que rapidamente se desfazem no cinza do mar, o parque, onde caminho, quase deserto na segunda-feira, os bondinhos do Pão de Açúcar que passam lado a lado sem se tocar, o silêncio das maritacas, tudo isso me mostra a dor da solidão. Sinto falta do abraço. Quero um ombro.
O discurso da auto-suficiência tornou-se minha prática de vida desde muito tempo atrás. Ser forte, uma meta. Estar só e em silêncio, um desejo. Afinal, a vida é frágil. A literatura, um norte para compreender os sentidos do mundo.
O vento transmuda os coqueiros em espanadores gigantes. Não quero parar de caminhar, não quero parar de escrever enquanto caminho. Tenho fome. O papel, pequeno, de um lado informações sobre persianas e cortinas e portas, de outro, o suporte para a minha escrita, está no fim. Já completei o percurso usual e agora repito, creio que pela terceira vez, um terço do caminho. Vou e volto. Cantarolo uma canção: "a vida passa lentamente/e a gente vai tão de repente/tão de repente que não sente/saudades do que já passou..." Sim, não sinto saudades do que já passou, não a saudade triste, nostálgica, aquele sentimento que nos faz desejar retornar no tempo, não, sinto uma saudade alegre dos momentos vividos, das pessoas queridas, saudade do tipo 'foi muito bom ter vivido isto ou aquilo, ter conhecido pessoas e com elas partilhado alguma vivência'.
Remexo na bolsinha que carrego atravessada ao corpo e encontro um folder, papel couché, algo sobre uma nova consciência, um novo mundo. Estou cada vez mais cética. Escrevo agora em forma de anotação, palavras-chave para as frases que formularei mais tarde. Normalmente, escrevo o tempo todo, uma escrita mental que raramente ganha um corpo. Isto porque minha mente analítica me policia em demasia, me tolhe, me corrige, me critica. Li tanta literatura, estudei por demais os textos literários que não me permito escrever simplesmente. Este é o mal dos cursos de Letras, encurtam a imaginação. Quando cursei Economia, sentia-me mais à vontade para escrever.
Novembro do cinza me colocou frente a uma nova cirurgia. Nova porque será outra, com outros médicos, outros objetivos. Retirar os linfonodos da pelve e a vesícula. Sim, ao longo do processo quimioterápico surgiram uns microcálculos na menina e um cisto no rim esquerdo. Com este não devo me preocupar, dizem os médicos. O tipo de cirurgia, porém, já o conheço. No dia 22, completou um ano dessa minha nova história. Submeti-me a uma laparatomia exploratória para a retirada dos órgãos ginecológicos (útero, ovários, trompas) e parte do intestino. Os médicos estão entusiasmados, trata-se de um caso interessante, e finalmente poderão ver-me pelo avesso. Sou absolutamente favorável à ciência, tenho mesmo curiosidade científica, mas quando o objeto desse furor pelo conhecimento é o meu corpinho... hum, isto me desagrada um bocado. A menos que me fosse possível pairar no ar e assistir à intervenção. Adoraria.
Novembro brindou-me, ainda, com o sentimento de abandono. Meu oncologista foi embora. Mudou-se. Sem um gesto de despedida! Nossas pequenas discussões, nossos risos e gargalhadas, a foto dele neste blog, os quase oito meses de convivência, não foram suficientes para que criássemos uma relação de amizade? Ingrato. Cretino. Deixou de ganhar uma deliciosa garrafa de vinho importado. Homens de touro, às vezes, são i-n-s-u-p-o-r-t-á-v-e-i-s.
Aborreci-me imenso com uma pessoa que me é imensamente querida. Este meu modo de ser, sempre em busca da verdade... Céus, o que é a verdade, sobretudo hoje, nesse mundo globalizado e virtual? Saltam da memória os versos “uma parte de mim/pesa, pondera:/outra parte/delira.” Sim, meu lado ponderado prefere o verdadeiro, sempre; o delirante “está-se nas tintas”, e concorda que “há uma imensa vida pela frente, para sermos amigos sempre”. Ah, o tênue fio do equilíbrio...
A alegria dispersou-se, as dúvidas assaltaram-me, será que tomei a decisão certa? Adiar a cirurgia para janeiro não dará chance às células tortas? Por que o cabelo demora tanto para crescer? As dormências nos pés continuarão por quanto tempo? Se a parte física está bem, a que me permite continuar minhas atividades, porque as lágrimas insistem em molhar meu rosto? ????????????????? Perguntas fartas, respostas magras.
Novembro não se vestiu todo o tempo de cinza. Diverti-me nos almoços, lanches e jantares, alguns com as amigas, outros com a família, em passeios com o Bartolomeu, o cão amigo de todas as horas, com os passos da dança de salão, com o novo filme do Woody Allen, na festa de encerramento da exposição de fotografias da minha amiga Christina Amaral... Surpreendi-me e emocionei-me com o post da Alda (do blog viver outra vez), acompanhei os blogs amigos, comecei a ler outro livro (mas não sei se vou terminá-lo)... Adorei os mimos das meninas portuguesas...
A fome me faz dar por terminada a caminhada. Passo à sessão de alongamento e vejo o mundo de cabeça para baixo, o vermelho das flores do flamboyant toca a terra ainda molhada, o mar acima da linha do horizonte... Na volta para casa, um casal jovem parece perdido, ofereço ajuda, procuram um lugar para almoçar, sim, na próxima rua à direita. Nos braços do homem, dobrados a formar um ângulo de noventa graus, um bebê dorme, o corpo diminuto muito bem aquecido. O homem caminha como quem oferece um presente. A vida é forte. Eu é que sou frágil. Demasiadamente humana.
Mal entro em casa, a chuva desaba sobre o Rio de Janeiro. Forte, quase em linha reta.
Hoje, no entanto, minúsculos pontos brancos que rapidamente se desfazem no cinza do mar, o parque, onde caminho, quase deserto na segunda-feira, os bondinhos do Pão de Açúcar que passam lado a lado sem se tocar, o silêncio das maritacas, tudo isso me mostra a dor da solidão. Sinto falta do abraço. Quero um ombro.
O discurso da auto-suficiência tornou-se minha prática de vida desde muito tempo atrás. Ser forte, uma meta. Estar só e em silêncio, um desejo. Afinal, a vida é frágil. A literatura, um norte para compreender os sentidos do mundo.
O vento transmuda os coqueiros em espanadores gigantes. Não quero parar de caminhar, não quero parar de escrever enquanto caminho. Tenho fome. O papel, pequeno, de um lado informações sobre persianas e cortinas e portas, de outro, o suporte para a minha escrita, está no fim. Já completei o percurso usual e agora repito, creio que pela terceira vez, um terço do caminho. Vou e volto. Cantarolo uma canção: "a vida passa lentamente/e a gente vai tão de repente/tão de repente que não sente/saudades do que já passou..." Sim, não sinto saudades do que já passou, não a saudade triste, nostálgica, aquele sentimento que nos faz desejar retornar no tempo, não, sinto uma saudade alegre dos momentos vividos, das pessoas queridas, saudade do tipo 'foi muito bom ter vivido isto ou aquilo, ter conhecido pessoas e com elas partilhado alguma vivência'.
Remexo na bolsinha que carrego atravessada ao corpo e encontro um folder, papel couché, algo sobre uma nova consciência, um novo mundo. Estou cada vez mais cética. Escrevo agora em forma de anotação, palavras-chave para as frases que formularei mais tarde. Normalmente, escrevo o tempo todo, uma escrita mental que raramente ganha um corpo. Isto porque minha mente analítica me policia em demasia, me tolhe, me corrige, me critica. Li tanta literatura, estudei por demais os textos literários que não me permito escrever simplesmente. Este é o mal dos cursos de Letras, encurtam a imaginação. Quando cursei Economia, sentia-me mais à vontade para escrever.
Novembro do cinza me colocou frente a uma nova cirurgia. Nova porque será outra, com outros médicos, outros objetivos. Retirar os linfonodos da pelve e a vesícula. Sim, ao longo do processo quimioterápico surgiram uns microcálculos na menina e um cisto no rim esquerdo. Com este não devo me preocupar, dizem os médicos. O tipo de cirurgia, porém, já o conheço. No dia 22, completou um ano dessa minha nova história. Submeti-me a uma laparatomia exploratória para a retirada dos órgãos ginecológicos (útero, ovários, trompas) e parte do intestino. Os médicos estão entusiasmados, trata-se de um caso interessante, e finalmente poderão ver-me pelo avesso. Sou absolutamente favorável à ciência, tenho mesmo curiosidade científica, mas quando o objeto desse furor pelo conhecimento é o meu corpinho... hum, isto me desagrada um bocado. A menos que me fosse possível pairar no ar e assistir à intervenção. Adoraria.
Novembro brindou-me, ainda, com o sentimento de abandono. Meu oncologista foi embora. Mudou-se. Sem um gesto de despedida! Nossas pequenas discussões, nossos risos e gargalhadas, a foto dele neste blog, os quase oito meses de convivência, não foram suficientes para que criássemos uma relação de amizade? Ingrato. Cretino. Deixou de ganhar uma deliciosa garrafa de vinho importado. Homens de touro, às vezes, são i-n-s-u-p-o-r-t-á-v-e-i-s.
Aborreci-me imenso com uma pessoa que me é imensamente querida. Este meu modo de ser, sempre em busca da verdade... Céus, o que é a verdade, sobretudo hoje, nesse mundo globalizado e virtual? Saltam da memória os versos “uma parte de mim/pesa, pondera:/outra parte/delira.” Sim, meu lado ponderado prefere o verdadeiro, sempre; o delirante “está-se nas tintas”, e concorda que “há uma imensa vida pela frente, para sermos amigos sempre”. Ah, o tênue fio do equilíbrio...
A alegria dispersou-se, as dúvidas assaltaram-me, será que tomei a decisão certa? Adiar a cirurgia para janeiro não dará chance às células tortas? Por que o cabelo demora tanto para crescer? As dormências nos pés continuarão por quanto tempo? Se a parte física está bem, a que me permite continuar minhas atividades, porque as lágrimas insistem em molhar meu rosto? ????????????????? Perguntas fartas, respostas magras.
Novembro não se vestiu todo o tempo de cinza. Diverti-me nos almoços, lanches e jantares, alguns com as amigas, outros com a família, em passeios com o Bartolomeu, o cão amigo de todas as horas, com os passos da dança de salão, com o novo filme do Woody Allen, na festa de encerramento da exposição de fotografias da minha amiga Christina Amaral... Surpreendi-me e emocionei-me com o post da Alda (do blog viver outra vez), acompanhei os blogs amigos, comecei a ler outro livro (mas não sei se vou terminá-lo)... Adorei os mimos das meninas portuguesas...
A fome me faz dar por terminada a caminhada. Passo à sessão de alongamento e vejo o mundo de cabeça para baixo, o vermelho das flores do flamboyant toca a terra ainda molhada, o mar acima da linha do horizonte... Na volta para casa, um casal jovem parece perdido, ofereço ajuda, procuram um lugar para almoçar, sim, na próxima rua à direita. Nos braços do homem, dobrados a formar um ângulo de noventa graus, um bebê dorme, o corpo diminuto muito bem aquecido. O homem caminha como quem oferece um presente. A vida é forte. Eu é que sou frágil. Demasiadamente humana.
Mal entro em casa, a chuva desaba sobre o Rio de Janeiro. Forte, quase em linha reta.
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quinta-feira, 1 de maio de 2008
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Nascimento
Há meses não escrevo. Ler também se tornou algo difícil.
Após o último sábado, no entanto, a vontade de escrever voltou.
Foi muito bom estar entre pessoas queridas e me sentir querida.
Assim nasce este blog: da amizade.
Primeiro, o Donas da Língua surgiu na mesa como uma ala de escola de samba, ensaiou-se um bloco carnavalesco a desfilar pelas ruas do bairro... Antes que se transforme em passado frustrado, o melhor é ser um blog!
E daí para bloco, ala, só depende da vontade do grupo. E das línguas! Saborosas, divertidas, afiadas!
Gosto de sentir a minha língua roçar
a língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
e quero me dedicar
a criar confusões de prosódia
e uma profusão de paródias
que encurtem dores
e furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
da rosa no Rosa
e sei que a poesia está para a prosa
assim como o amor está para a amizade
e quem há de negar que esta lhe é superior
e quem há de negar que esta lhe é superior
e deixa os portugais morrerem à míngua
"Minha pátria é minha língua"
Fala Mangueira!
Fala!
Caetano Veloso só entrou aqui por causa da poesia! O que está dito tem tudo a ver. E sou Mangueira!
Vamos falar do sério com diversão e arte!
Após o último sábado, no entanto, a vontade de escrever voltou.
Foi muito bom estar entre pessoas queridas e me sentir querida.
Assim nasce este blog: da amizade.
Primeiro, o Donas da Língua surgiu na mesa como uma ala de escola de samba, ensaiou-se um bloco carnavalesco a desfilar pelas ruas do bairro... Antes que se transforme em passado frustrado, o melhor é ser um blog!
E daí para bloco, ala, só depende da vontade do grupo. E das línguas! Saborosas, divertidas, afiadas!
Gosto de sentir a minha língua roçar
a língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
e quero me dedicar
a criar confusões de prosódia
e uma profusão de paródias
que encurtem dores
e furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
da rosa no Rosa
e sei que a poesia está para a prosa
assim como o amor está para a amizade
e quem há de negar que esta lhe é superior
e quem há de negar que esta lhe é superior
e deixa os portugais morrerem à míngua
"Minha pátria é minha língua"
Fala Mangueira!
Fala!
Caetano Veloso só entrou aqui por causa da poesia! O que está dito tem tudo a ver. E sou Mangueira!
Vamos falar do sério com diversão e arte!
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